sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um socorro

Eu tinha uma estaca enfiada no peito, que me ardia e me tirava a consciência.
Sem saber pra onde ir, fui até você e supliquei para que a arrancasse de lá. 

Oh, você estacou mais duas e meu coração, agora dilacerado, não consegue nem sequer respirar. 

Perco a força. 
Choro. 
Fico com raiva. 
Choro. 
Acabo desistindo de chorar. 
Acabou o fôlego. 

Com o que resta, parto para a floresta na esperança de encontrar qualquer coisa. Ouço um barulho...
É uma cachoeira. 
Não posso adentrar naquelas águas, mas cá da beira eu escuto aquele som, que soa como uma terapia. 
Eu me acalmo. 

Por vezes me lembro de você e fico triste e com raiva. Mas passa. 
Apenas água... Cachoeira... 
Tudo vai ficando mais lento
Até que eu apago. 

Fruto do pecado

Eram duas horas da manhã e eu comia uma maçã
Devorava-a com a imensa vontade que eu tinha de te devorar. 
Quase comi os caroços. 
Pularam em mim. 
Assim como pulou o amor dos meus braços. 
Eu via nos seus olhos uma dúvida, arrependimento, perdão 
Via que não veria mais
Fechei o meu coração com todas as amarras possíveis
Não deixei você entrar
Mas você lutou e lutou 
Arrancou-me um braço e puxou para você. 
Isso dói 
Eu ainda amo
Não me puxe, por favor
Estou tentando superar a sua partida
E sei que não vais mais voltar 
O choro é seco 
Não há uma lágrima 
Só há um aperto tremendo 
Creio que morri. 

Por favor, não me deixe.