Guardei uma caixa no porão.
Inicialmente ela estava vazia. Era apenas uma caixa no porão.
Sempre pensei em te entregar essa caixa.
Não pela caixa, mas pelo fato de te entregar.
Todo lugar que eu ia, eu lembrava de você.
Trazia algo para casa e colocava nessa caixa.
Isso acontecia diariamente, até eu parar e observar que ela já estava cheia.
Nela havia passarinhos verdes voando, o bater das ondas, pizza, pipoca e chantily;
havia também uma neném dando risada e um por do sol.
A caixa estava completamente cheia. Era a hora de te entregar.
Caminhei depressa até a sua casa. 30 minutos entre passos rápidos e corridas.
Toquei a campainha e você abriu na mesma hora. Parecia até que esperava por algo.
Olhou para mim toda descabelada e vermelha. Sim, era possível ver minha pele fervendo sob a luz da lua.
Atônito, perguntou o que foi.
Falei que lhe trouxera uma caixinha, e colocara meus sonhos dentro dela.
Tirei a caixinha do bolso do moletom e lhe proferi as 3 palavras que estavam sendo cultivadas no meu porão desde que te conheci.
- Quer casar comigo?
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