quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Número e pronome.

Um monte de nada
Um tempo vazio
Uma expressão sem conteúdo 
Uma vida fútil 
Um esforço inútil 
Um coração de mentira
Uma mente brilhante 
Uma princesa criativa 
Uma mania dolorosa
Uma perda incalculável de sonhos utópicos e dias recheados de amor platônico. 

Das faltas que me fazes.

Ah se você soubesse que todos os dias eu penso em você
Que eu te vejo em detalhes e em compostos
Ah se você soubesse o quanto sinto sua falta
Quanto eu queria ter você aqui. 

Infinitos os dias que passam
E eu não sei como dizer
Não sei se deveria dizer
Mas só existe uma verdade

Eu sinto sua falta
Falta de alguém com uma boa conversa, bom paladar e carisma. 

A vida vai continuar 
E não quero que essas palavras mudem nada
É só que as venho guardando por um longo tempo
E estavam já a sufocar. 

Somos o oco do mundo.

Gargalhadas escandalosas escondem o vazio ensurdecedor. 
Alto tom sem significantes motivos. 
É a alma querendo ressoar sua existência. 

-Vejam como eu riu bonito. Me deem mais motivos. 
E assim são intermináveis breves 30 minutos, precedentes de uma mumificação interior. 

Os dentes que sorriam, agora se travam. Se fecham como se não quisessem expor o buraco negro que há da boca para dentro. 

É o oco. O oco do mundo mora dentro de nós. 
Mora em cada desejo repreendido, em cada vontade desdenhada. 

Silêncios interrompidos. 
Implosão. 

Esquecestes de me habitar?

Ei!
Volte aqui. 
Você esqueceu de habitar meu coração. 

Não sei, acho que foi engano. 
Eu estava na fila o tempo todo. 
Você deve ter me pulado.
Não foi isso? 

Somente por engano
Eh claro. Não é? 
Estou começando a ficar na dúvida. 
Ou seria, com medo? 

Por que você não me habita? 
Sou eu uma não merecedora?
Não consegues me ver como uma casa? 
Só queria ser seu lar. 

Habita em mim,
Que sem você, 
já não sou mais 
Sorriso. 

Pontos de vista

Não é mais do mesmo 
Tudo está diferente 
Eu vejo diferente 
Sinto também...

Principalmente sinto. 
Sentimentos que beiram o vazio e transpassar pela felicidade extrema. 
Como é gostoso se relacionar bem. 

Simplesmente se escolhe a quem dar afeto
E às vezes as escolhas são bem boas
Boas a ponto de mudar sua relação com o mundo todo. 

Porém, as escolhas "ruins" me entristecem. 
Quando o único desejo é passar coisas positivas, contribuir, e tudo é rejeitado. 
A vontade é desapresentar o meu ser...

Deixo para lá. 
Que cá tem abraços, sorrisos, conversas e olhos maravilhosos. 
É possível se preencher disso. 
Permaneço.  

Hoje eu não me basto.

Hoje, não me basto
Me corto e me rasgo 
Engasgo com soluços 
De choros interrompidos 

Peito comprimido 
Bate oco 
Bate seco
Bate só 

Hoje, não me basto 
No entanto, tenho que me bastar
Só há o abraço dos meus braços
Gelados

Fria atmosfera 
Sopro do deserto 
Sinto marteladas aqui dentro
Espero que estejam caçando diamantes. 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vida de atriz

Abriu a porta para mim 
E me deu o que eu nem pensara em pedir
Nem cogitara necessitar 
Algo que me tiraria daquele caminho

Você despertou o melhor de mim 
Me trouxe uma leveza 
Uma reciprocidade no olhar
E no sorriso

Fico aqui cogitando se é atuação 
E que horas vai acabar
Ou se é real 
Se realmente é palpável 

É como estar sonhando.
Atravessei  os céus 
Perdi uns 50 quilos
E prece que posso voar. 

É tanta beleza. 
E aquele semblante voltado para mim...
O toque suave e intenso
Compostos complementares. 

O deixar

Um amor foi mandando para um outro hemisfério. 
Em um barquinho de papel. 
Que vai lentamente e se perde no horizonte.

Estamos em uma nova estação. 
Os ventos são gélidos 
Deixam os olhos petrificados 
É preciso deixar ir

A estação vai embora
E leva esse sentimento 
É uma dor suave
Sangra e é feliz

É feliz, pois sinto ventos de esperança 
Correntes frias que sopram o corpo
Sopram forte 
Como se fossem me levar para um novo reino, cheio de luz. 

Mas, para quem vive de hipérboles
Todo amor é o único 
E deixar o amor da sua vida
Não é tão fácil assim. 

Fios de cinzas

É um absurdo completo você me deixar assim 
Você ir embora e nem olhar pra trás 
Eu deixei você ir porque seria o melhor pra você
Mas assim? 

Simplesmente me apagou?! 
Apagou todos esses meses de vida conjunta?! 
Só porque eu não poderia te dar o amor que você queria naquela hora?! 
Só porque eu precisava de um tempo pra mim?! 

Como é possível apagar uma pessoa da sua cabeça assim?!
E dissestes que tanto me tinha afeto...
E dissestes tantas coisas. 

Agora eu te vejo em outras pessoas
Em cenas de filmes
Em comidas
Doces

Odeio os doces
Odeio cabelos amarelos
Odeio inteligência
Odeio poesia

Sua insensibilidade...
Mas eu te deixei ir 
Não pude dar o que você queria naquele momento
Te deixei ir 

Eu quero tacar fogo em você!
Jogar fogo em tudo que você já transformou em cinzas
Tudo que você faz questão de não saber
Tudo que já não faz parte de mim. 

Você.
Poeta que me deixou assim
Sucumbiu aos seus instintos 
Já foi tarde. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Um pedaço de mim

Um amor foi mandando para um outro hemisfério. 
Em um barquinho de papel. 
Que vai lentamente e se perde no horizonte.

Estamos em uma nova estação. 
Os ventos são gélidos 
Deixam os olhos petrificados. 
É preciso deixar ir. 

A estação vai embora
E leva esse sentimento. 
É uma dor suave
Sangra, e é feliz.

É feliz, pois sinto ventos de esperança
Correntes frias que sopram o corpo
Sopram forte 
Como se fossem me levar para um novo reino, cheio de luz. 

Mas, para quem vive de hipérboles
Todo amor é o único 
E deixar o amor da sua vida
Não é tão fácil assim. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um socorro

Eu tinha uma estaca enfiada no peito, que me ardia e me tirava a consciência.
Sem saber pra onde ir, fui até você e supliquei para que a arrancasse de lá. 

Oh, você estacou mais duas e meu coração, agora dilacerado, não consegue nem sequer respirar. 

Perco a força. 
Choro. 
Fico com raiva. 
Choro. 
Acabo desistindo de chorar. 
Acabou o fôlego. 

Com o que resta, parto para a floresta na esperança de encontrar qualquer coisa. Ouço um barulho...
É uma cachoeira. 
Não posso adentrar naquelas águas, mas cá da beira eu escuto aquele som, que soa como uma terapia. 
Eu me acalmo. 

Por vezes me lembro de você e fico triste e com raiva. Mas passa. 
Apenas água... Cachoeira... 
Tudo vai ficando mais lento
Até que eu apago. 

Fruto do pecado

Eram duas horas da manhã e eu comia uma maçã
Devorava-a com a imensa vontade que eu tinha de te devorar. 
Quase comi os caroços. 
Pularam em mim. 
Assim como pulou o amor dos meus braços. 
Eu via nos seus olhos uma dúvida, arrependimento, perdão 
Via que não veria mais
Fechei o meu coração com todas as amarras possíveis
Não deixei você entrar
Mas você lutou e lutou 
Arrancou-me um braço e puxou para você. 
Isso dói 
Eu ainda amo
Não me puxe, por favor
Estou tentando superar a sua partida
E sei que não vais mais voltar 
O choro é seco 
Não há uma lágrima 
Só há um aperto tremendo 
Creio que morri. 

Por favor, não me deixe. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Quando passa por mim

Imagino que eu não devesse escrever sobre você 
Mas, na verdade, 
não escrevo sobre você,
Escrevo sobre você em mim. 

E por falar nisso
Que falta faz você em mim. 
Já passam muitos dias,
horas, minutos e saudades. 

Chega até a passar pessoas
Histórias, términos
Começos?
Passa-se o mundo. 

Eu passo por você. 
Passo, 
e cada passo
Acelera o meu compasso. 

E no ato de tanto passar
Já não sei aonde eu fico. 
Sabe...
Às vezes eu só queria ficar. 

domingo, 22 de maio de 2016

Permita-me a palavra

Olá, excelência 
Eu tenho um coração gelado 
Ele é duro que nem pedra
E tornou-se impermeável

O coração
Esse órgão que responde à alma
Esse músculo cheio de sangue
Que seca

Esse pedaço dentro de mim
Já não tem a vida que clareia os olhos
Já não pulsa com efeitos especiais
Não vibra 

Eis aqui um órgão 
Com funções unicamente físicas
Carregando em si todo o fado
De nada mais sentir.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Mofo

Deu mofo nos arquivos do coração. 
Estavam velhos
Foram todos pro lixo
Agora estão bem longe

Todos podres
Por falta de utilização 
Todos empoeirados
Sem ver a luz do sol

Não há arquivo ou amor
Que volte
Que se renove
Que ganhe vida

Deu mofo nos arquivos do coração. 
Estavam velhos
Foram todos pro lixo
Agora estão bem longe. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sim!

Permito-me aventurar 
Ignorando os vãos desconhecidos do seu eu
Driblando esse "eu" que muitos dizem,
Fingindo não ser você. 

Permito-me à imaginação 
Que te converte e te devora
Como se fosse um rei
Ou um réu. 

Permito-me escancarar o meu ser
Exprimindo-me
E dando minha cara lavada 
a tapa. 

Sim!
Permito-me ao suicídio
Permito-me ao ataque
Permito-me a você. 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Dos olhos teus

Já não sei se falo, ou deixo de falar; 
Já não escuto sua voz nos corredores;
Já não tenho mais sinais da sua presença. 
Já não sei se faz falta, ou se deveria fazer;
Tampouco sei o que, e se ainda, queres de mim. 
Vale lembrar que não sei ao certo quem é você, nem sei como te acessar. 
Eu vi amor nos seus olhos e isso me fez tão bem, tão bem que eu queria saber se os seus olhos, ou o amor, eu tonaria ver novamente. 

sábado, 23 de abril de 2016

Metaforicamente falando

Um universo irreal
Permeado de muitos prazeres. 
O prazer do desconhecido 
O prazer da imaginação. 

Devaneio
Veraneio
Tiro férias ao seu lado
Mesmo que seja metaforicamente 

Consistente 
E incoerente
Palavras que não sabem 
Para onde ir

Fico sem graça 
Não tem sentido 
Tem sentir 
De graça. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Oportunidades

Ninguém se fode para sempre. 
Ninguém nasceu para ser um fudido. Não estamos fadados ao suicidio. 
São apenas coisas que colocam na sua cabeça. 

É tudo novo, irmão. 
Ar fresco
com cheiro de me coma
e cor de me chupe. 

É o mundo de perna aberta para você, e acredite, você não é mais virgem, não seja um idiota. 

Coma-o com todo o seu corpo. 
Coma tudo que puder. 
Vomite o que quiser 
e repita o prato que te satisfizer.

domingo, 10 de abril de 2016

Domínio público

IExtra! Extra! 
Crise conjugal
É o fim 
Catástrofe!

Extra!
Existia um sentimento extra
Não cabia ali 
Não fazia parte do casal. 

Eis que foi:
A garota extravagante 
Extravagou!
Vazou os seus sentidos. 

Exuberante
Ela não cabe mais em si. 
Não cabe mais ali 
Nem acolá. 

Extra!
Colocaram colorante
E estragou. 
Joga-se tudo fora. 

Extra! Extra! 
Aqui jaz o amor de outrora. 
Estrangulou-se numa corda
Que insistia em balançar. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tortura


Sua voz em cântico pelos corredores 
Minhas células já gritam 
São sons mudos 
Que suplicam por alguma coisa

Perco-me sob novos sonhos
Ilusões encadeadas
Me vejo acorrentada
Amordaçada

Quero berrar!
Não quero a passividade 
da conveniência. 
Não!

Tenho orgasmos
de desespero. 
Uma energia viceral 
Que dilacera. 

Loucura
Tortura
Sadismo. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Dessas vezes que sentimos amor

Talita gosta dos olhos de Carlos, ela vê amor quando olha para eles.
Tem pouco tempo que ela o viu pela primeira vez, mas faz muito tempo que ela não se entrega para ninguém como fez naquela casinha rústica de madeira roxa.
Era segunda-feira, 10 horas da manhã. Talita estava costurando sua nova coleção de plissados quando recebeu uma notificação de Carlos: Olá, moça, tudo bem? Como passou o feriado? Espero que seus ovinhos pintados tenham feito sucesso com as crianças do sul. Quero te ver.
Talita começou a tremer, até desligou a máquina porque sabia que não conseguiria se concentrar em mais nada. Seu corpo já estava produzindo impulsos demais.
Isso sempre acontece quando recebe suas mensagens. Respirou fundo e respondeu: Bom dia. Tudo bem. A viagem foi ótima. As crianças amaram. Como vai a chuva por aí? Eu estava terminando o pedido da Lili, mas esse barulhinho de gotas pede abraço.
         Quase que de imediato o celular vibrou: Então me abrace.
   -Agora?
 -Daqui a dez minutos. Te espero. Beijos! 
Talita não sabia aonde isso ia dar. Suas mensagens eram despretensiosas. Ela pensou apenas estar jogando um jogo de palavras. Mas não era só isso. Agora ela sairia das telas.
Deixou tudo como estava, colocou a sandália azul que combinava com seu conjunto floral, tomou um grande gole de chá e saiu. Não se importaria com a chuva.
Foram os vinte minutos mais longos e desesperadores da sua vida. Ela sempre passara pela rua dele mas nunca notou aquela casa, hoje sim.
Talita parou e ficou admirando, pupilas dilatadas, respiração acelerada. Desceu da bicicleta e a deixou na cerca.
Tocou a campainha e esperou uns dois minutos. Tempo suficiente para pensar em sair correndo e sumir. No meio do pensamento a porta se abriu.
A partir daí não se sabe mais o que aconteceu com aquela baixinha dos cabelos castanhos e molhados pela chuva. Sua vida virou de cabeça para baixo.
Esqueceu-se de suas convicções, obrigações, regras, gostos, pessoas. Não lembrava mais quem ela era, tudo se espalhou na sua cabeça. Peças soltas num universo sem gravidade.
E foi assim, nenhuma palavra, apenas a entrega.
Como um flash, tudo e nada passou pela sua mente. Medo, desespero, amor, prazer, desprezo, liberdade. Ela não sabia como tinha parado ali.

Talita gosta dos olhos de Carlos, mas ela não sabe se tornará a vê-los. 
        Aquela manhã de segunda-feira foi como um flash, um sonho. Ela não sabe como chegou naquela casa, ela não sabe como saiu. Muito menos sabe o que ali aconteceu. Ela só sabe que viu o amor, ele tinha a cor mais linda do mundo, mas não teve coragem. 


Certificou-se de desviar o olhar antes que aqueles penetrantes olhos invadissem o seu coração. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Devaneio

Tal qual entorpecentes 
Me tira da órbita 
Me desnorteia 
Paralisa os pensamentos 

Tal qual a criação
Converto-me em essência 
Sentidos e sentires
Vibrações e impulsos 

Pulsos que pulsam 
em conjunto,
Em uníssono 

Eis aqui 
O devaneio. 
Transbordemos. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Transpareceu

Estou fadada a esse amor 

É de domínio público 
E todos sabem
Minha cara de menina boba
Minha ânsia de mulher apaixonada 

Uma serenidade 
Que permeia a loucura 
Uma loucura
Que beira à insanidade

É amor, sim
É amor que não liga para as palavras
Que não pergunta a lógica 
Que não espera o momento certo. 

É impulso e pulso
É raio em campo de boiada
"Salve-se quem puder!"
Gritou, um amigo

Já era tarde. 

Estou fadada a te amar
Plebeu de olhos castanhos
Estou fadada a esse amor
Mudo e infinito. 



terça-feira, 1 de março de 2016

Morta de fome

Se nossas fomes fossem iguais
Nós mataríamos o mundo
De inveja 

Nós mataríamos a fome 
No nosso mundo

Consumiríamos até a saciedade
Até ficar plenos e inteiros 
Desse sabor que tanto buscamos

Se nossas fomes fossem iguais
Mataríamos elas aqui
Agora. 

Certo

É que eu acho que a gente daria certo
Mesmo dando muito errado

Mesmo se perdendo no diálogo
Sempre deixando algo passar

Acho que daríamos certo 
Porque apesar dos desencontros 
Nossos corpos se encontram
Nossas mentes não se largam. 

Daria certo
Porque eu aprendo com você
E você se sente bem comigo

Não é bem certo
Que daria certo
Mas é certo que eu te quero
E você não nega isso. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Garota no Porto

Tem uma gotinha de orvalho em uma pétala amarela na flor do seu quintal. 

São 4 da manhã e ela fica olhando pras estrelas e observando o movimento das nuvens. 

É frio e silêncio. 
Dentro dela também está assim. 
É um porto que não tem mais barcos. 
Foram todos embora. 
Só sobrou o píer, uma casinha e as ondas que, agora, batem sem pressa. 

Ela vê luzes de avião, vê o tempo correr, pisca os olhos várias vezes e acaba caindo no seu sono gelado e vazio. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Vento gélido

Agora a respiração corre fluida
por todo o corpo
O ar é gelado
Pode me preencher

Os vasos de dilataram
O sangue corre depressa
Ele é avido por liberdade
Quer expandir

Não sei se é morte 
Ou vida. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Flor e ser

Alma aberta
Brisa boa
Coração sorridente 
Água que deságua 

Flor que floresce
Sol que nasce
Sol que põe
Chuva

Amor que ama
Beijo que beija
Sorriso que sorri
Vida

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Ioiô

Se eu não posso ser amor
Eu não vou ser dor. 
Cansei de esperar
Cansei de ser como sou com você. 

Cansei desses sentimentos ruins que eu tenho quando você não está. 

Já não aguento esse ioiô 
No qual me transformou. 
Eu não posso ir
Não posso ficar

Não posso nada. 

Me bloqueia
Me estrangula
E me mata.  

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Voz

As palavras têm medo
E perto e longe 
Estão em uma linha tênue. 
Por favor, escute isso. 

Gritos mudos
Súplicas em silêncio 
Corpo que se move
E seus olhos que não veem. 

Gritos cansados
Súplicas em lágrimas
Corpo que dói
Seus olhos que não vem. 

.. ... ....

Do riso fez-se o pranto.

Você abriu a porta para mim
E saiu pela janela. 
Você me abriu para o universo
E depois disse que não devíamos sair da Terra.

Meses de dias eternos
Ternos dias que sonhei com você 

É bom sonhar com quem se ama
Melhor ainda é quando tudo parece funcionar. 

De repente
Não mais que de repente...

Eu acordo do sonho que estava se tornando realidade. 
E não há mais sonho. 
Há pesadelo. 

...

Agora não há mais nada. 
Só Caixa branca e olhos turvos. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Todo dia

Todo dia, 
antes de ir para a faculdade, 
ela passa na perfumaria.

Caminha até a terceira prateleira 
da última fileira no fundo da loja
Pega um potinho
como se fosse um grande diamante, 
é um perfume preto. 
Ela abre devagar, 
não cheira
Confere se ninguém está olhando para ela, 
Fingem não estar. 
Então... Ela levanta seu cabelo
E espirra umas gotinhas na sua nuca. 
É instantâneo... Nos seus olhos surgem lágrimas
Mas na sua boca se faz um sorriso. 
Ela faz isso todo dia. 
Ela faz isso
pois foi a última coisa que ele fez com ela.

Caixinha de Sonhos

Guardei uma caixa no porão. 
Inicialmente ela estava vazia. Era apenas uma caixa no porão. 
Sempre pensei em te entregar essa caixa. 
Não pela caixa, mas pelo fato de te entregar. 

Todo lugar que eu ia, eu lembrava de você.
Trazia algo para casa e colocava nessa caixa. 
Isso acontecia diariamente, até eu parar e observar que ela já estava cheia. 

Nela havia passarinhos verdes voando, o bater das ondas, pizza, pipoca e chantily; 
havia também uma neném dando risada e um por do sol. 
A caixa estava completamente cheia. Era a hora de te entregar. 

Caminhei depressa até a sua casa. 30 minutos entre passos rápidos e corridas.
Toquei a campainha e você abriu na mesma hora. Parecia até que esperava por algo. 
Olhou para mim toda descabelada e vermelha. Sim, era possível ver minha pele fervendo sob a luz da lua. 


Atônito, perguntou o que foi. 
Falei que lhe trouxera uma caixinha, e colocara meus sonhos dentro dela. 
Tirei a caixinha do bolso do moletom e lhe proferi as 3 palavras que estavam sendo cultivadas no meu porão desde que te conheci. 
- Quer casar comigo? 

Florzinha

Boatos 
Botões de flores
Que morreram antes de virar

Tenta, tenta, florzinha
Mas não dá. 

Falta água. 
Falta regar esse amor
que teima em desabrochar
Mas não consegue. 

In Decisão

Me parece que fui permitida 
Ganhei o aval da liberdade de gostar 

Me parece que veio tudo de vez
Tudo que sempre quis
E tenho pressa, cansei de esperar

Joguei composições da minha vida fora
Só para poder SER
Sua
Somente... 
Sua

Se bem me lembro 
Ouvi que deveria ser sua
Somente sua 
De mais ninguém 

Isso me pressiona o ventre e largo todas as possibilidades e pessoas que me rodeavam. Quero ser sua. 

Uma escolha difícil. 

...

Você não quer mais.

Corte Seco

Corte vazio em seios asseados.
Corte seco. 
Não sangra. 
Eles retém toda a dor. 
Afinal, ela me lembra você. 
E tudo o que eu quero
É algo que seja seu.